15 julho 2014

15 julho 2014

Aguando o bom do amor



Eu não sei o que aconteceu. Um mês passou e não sei. Eu me culpo todos os dias, talvez pra poder te perdoar com mais facilidade. Você me deixou esperando e esqueceu de voltar. Que droga, justo você. Você sabia como eu me sentia sobre as pessoas. Elas são todas filhas da puta, eu sempre insisti nisso. E insisti também em dizer que você estava me fazendo mudar de ideia. Mas olha onde estamos agora. Ou não estamos.

Eu espero que uma hora você sinta minha falta e que não seja tarde demais. Eu sei que ainda consigo te receber de braços abertos, mas uma hora vou superar essa necessidade de te ter aqui. E aí nem precisa insistir, não vai adiantar. Se não sentir, que ao menos lembre de mim com carinho quando a Tatá Werneck aparecer na TV ou você for fazer arroz. Eu espero que na Virada Cultural do ano que vem você lembre que foi comigo que foi pela primeira vez e volte àquela noite de maio. Preciso contar que foi exatamente ali que me apaixonei por você. A alguns metros do palco montado na Júlio Prestes, você com as mãos nos bolsos do meu shorts, cantando Tarde Vazia no meu ouvido. Quis dizer que te amava mas me segurei, como sempre fiz com sentimentos bons.

Eu espero que um dia você plante aquela árvore que tanto falava que plantaríamos juntos. Queria que tivéssemos feito isso a tempo para eu ter algo nosso nessa cidade. Digo, eu tenho os bares que íamos juntos, a padaria onde tomávamos café, mas eu poderia olhar para aquela árvore e pensar "ela é nossa". Eu me apego muito a coisas assim. Eu me apego até hoje ao dia em que você disse que não parava de pensar em mim e em como te achei estranho como, alguns minutos antes de me beijar pela primeira vez, você disse que já éramos praticamente um casal. Revirei os olhos como quem acha estúpido, e meu coração se contorceu já prevendo o que aconteceria depois.

Eu espero que você tenha arranjado alguém pra desentupir a pia da cozinha e que lembre de trancar a porta antes de dormir. Espero que lembre de fazer listas de supermercado pra não esquecer coisas banais como papel higiênico. Espero que tenha guardado as coisas que acabei deixando no seu apartamento e não tive coragem de buscar. Eu espero que tenha aprendido algo comigo além de como fazer arroz, porque eu aprendi tanto com você. Eu espero que saiba que tive alguns dos melhores dias da minha vida ao seu lado e que não teve uma única noite que me arrependi de dormir ao seu lado. Mesmo quando você pegava no sono no meu colo e eu era obrigada a assistir Rafinha Bastos. Honestamente, prefiro o Gentili.

Honestamente, se quer mesmo saber, prefiro você. Com todos os defeitos, todas as diferenças, toda a bagunça que fez aqui dentro. Eu não sei se lembro onde as coisas estavam antes de você chegar, então, por favor, venha arrumar. Ao menos não deixe esses cacos de amor espalhados pelo chão do meu peito. Varra para debaixo do tapete. Dizem que o que os olhos não veem, o coração não sente. Mas o que a gente faz quando já está no coração?

Eu espero...



1 comentários:

Jéssica Bellisoni em 16/7/14 disse...

Deixar pra lá algo que foi importante pra gente nunca é fácil. Quando o algo na verdade é "alguém" fica ainda mais complicado. Não tem muito o que dizer agora porque tudo pode parecer cliche demais: se for pra ser, volta. / se não for, jajá vai passar.

Acontece que as duas coisas são verdades. Mas a gente nunca sabe qual exatamente se encaixa pro nosso momento. E aí nos resta esperar. Só esperar. Que as coisas melhorem...
Ou piorem, desmoronem pra aí sim... um raiozinho de sol começar a aparecer entre as nuvens.

Fique firme, aí ;)
www.amentetransborda.blogspot.com.br

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